
Tem momentos na vida que mudam tudo. Para mim, um deles aconteceu em um evento empresarial há cinco anos. Estava lá, meio perdido no meio de 200 executivos, quando uma conversa casual mudou completamente minha forma de ver os negócios.
Eu sempre achei que networking era sobre trocar cartões de visita e fazer pequenos discursos sobre sua empresa. Que engano. O verdadeiro networking é algo muito mais profundo e estratégico.
A conversa que mudou tudo
Era um evento de empreendedorismo em São Paulo. Eu estava na fila do café quando um senhor ao meu lado comentou sobre a palestra que acabáramos de assistir. Começamos a conversar, e em 20 minutos de papo, ele me deu mais insights sobre gestão empresarial do que eu havia aprendido em meses de cursos.
Descobri depois que era CEO de uma multinacional. Não se apresentou com títulos ou cargos. Simplesmente compartilhou experiências, fez perguntas inteligentes e demonstrou interesse genuíno no que eu fazia. Saí dali pensando: “É assim que se faz”.
Qualidade versus quantidade
Durante anos, eu colecionava cartões de visita. Chegava em casa com dezenas deles após cada evento. Mandava LinkedIn para todo mundo, fazia follow-up automático. Resultado? Zero oportunidades reais de negócio.
O problema não era minha estratégia de follow-up. Era minha mentalidade. Estava focado em conhecer muitas pessoas em vez de conhecer as pessoas certas de forma significativa.
Hoje, quando vou a um evento, meu objetivo é ter três conversas profundas. Três. Não vinte ou trinta. E sabe o que aconteceu quando mudei essa abordagem? As oportunidades começaram a aparecer naturalmente.
O poder das conexões estratégicas
Lembro de uma situação específica que ilustra perfeitamente isso. Estava em um jantar da Sociedade Prime quando conheci um empresário do setor imobiliário. Conversamos sobre os desafios de comunicação no mercado de luxo.
Três meses depois, ele me ligou. Estava expandindo para o Nordeste e precisava de uma agência que entendesse o público de alto padrão. O projeto? O maior da história da nossa agência até aquele momento.
Isso não aconteceu porque entreguei um cartão de visita bonito. Aconteceu porque tivemos uma conversa real sobre desafios reais. Ele se lembrou de mim não pelo meu pitch comercial, mas pela qualidade da nossa interação.
O ambiente faz toda a diferença
Nem todo networking é igual. Existe uma diferença abismal entre um evento de massa e um encontro curado com pessoas do mesmo nível.
Participei de feiras gigantescas onde você mal consegue ter uma conversa decente por causa do barulho e da pressa. E participei de jantares íntimos com 20 executivos onde cada conversa gerava insights valiosos.
A diferença não está no tamanho do evento. Está na qualidade das pessoas e no ambiente criado para conexões genuínas. Por isso criamos a Sociedade Prime: queríamos um espaço onde líderes empresariais pudessem se conectar de verdade.
Networking não é sobre vender
Esse é o erro que vejo em 90% dos empresários. Chegam no evento já com o discurso pronto, querendo apresentar a empresa, falar dos diferenciais, conseguir leads.
O networking eficaz é sobre dar, não receber. É sobre fazer perguntas inteligentes, compartilhar experiências relevantes, conectar pessoas que poderiam se beneficiar uma da outra.
Tem um empresário da nossa rede que é mestre nisso. Em todo evento, ele conecta pelo menos três pessoas que ainda não se conheciam mas que poderiam fazer negócios juntas. Resultado? Ele virou a referência em networking da cidade. Quando alguém precisa de alguma coisa, ligam primeiro para ele.
A reciprocidade que gera negócios
O networking real funciona por reciprocidade. Quando você genuinamente ajuda alguém, cria-se uma conexão que vai muito além do transacional.
Conheci um advogado especialista em direito empresarial durante um evento nosso. Semanas depois, um cliente me procurou com uma questão jurídica complexa. Conectei os dois. O advogado resolveu o problema brilhantemente.
Seis meses depois, esse mesmo advogado me indicou para três clientes diferentes. Não pediu nada em troca, não cobrou comissão. Simplesmente retribuiu o favor. Essa é a essência do networking estratégico.
Relacionamentos a longo prazo
O maior erro que vejo é pensar no networking como algo pontual. “Vou no evento, conheço pessoas, pronto”. Relacionamentos empresariais sólidos levam tempo para se desenvolver.
Tem pessoas na minha rede que conheci há dez anos e só fizemos negócios juntos ano passado. Mas durante esse tempo todo, mantivemos contato, acompanhamos a evolução dos negócios um do outro, compartilhamos oportunidades.
Quando finalmente surgiu o timing certo, a confiança já estava estabelecida. O negócio fluiu naturalmente porque a relação já existia.
O que aprendi sobre autenticidade
A maior lição que aprendi sobre networking: seja você mesmo. Não adianta tentar ser quem você não é ou fingir interesses que não tem. As pessoas percebem.
Autenticidade gera conexões genuínas. E conexões genuínas geram oportunidades duradouras. É simples assim.
Hoje, quando alguém me pergunta sobre dicas de networking, dou sempre a mesma resposta: pare de tentar impressionar e comece a se interessar genuinamente pelas pessoas. O resto acontece naturalmente.
Os melhores negócios da minha carreira vieram de relacionamentos autênticos. E aposto que os seus também podem vir.




