
Dezembro de 2019. Nossa agência estava passando por um momento difícil. Não era crise financeira, mas algo pior: estávamos estagnados. Fazíamos um trabalho competente, clientes satisfeitos, mas sentia que estávamos em piloto automático.
Foi quando decidimos investir em algo que parecia loucura na época: um evento próprio. O primeiro encontro da Sociedade Prime. Não sabia que essa decisão ia transformar não só nossa empresa, mas minha visão sobre relacionamentos empresariais.
A decisão que ninguém entendeu
“Vocês vão gastar dinheiro para reunir possíveis concorrentes?” Essa foi a primeira reação da minha equipe quando apresentei a ideia. E confesso que, por um segundo, questionei se não era loucura mesmo.
Mas havia algo me incomodando há meses. Percebia que nossos melhores projetos vinham de indicações, de relacionamentos pessoais. E ao mesmo tempo, via um monte de empresários talentosos isolados, cada um lutando sozinho no seu canto.
A ideia era simples: e se criássemos um espaço onde líderes empresariais pudessem se conectar de verdade? Não para fazer pitches ou fechar negócios na hora, mas para construir relacionamentos sólidos.
O primeiro evento que quase foi um desastre
Vinte e cinco pessoas confirmaram presença. Apareceram quinze. O local que escolhemos era lindo, mas a acústica péssima. O jantar chegou uma hora atrasado. Tudo que poderia dar errado, deu.
Mas aconteceu algo inesperado. Justamente por não ser perfeito, o ambiente ficou mais relaxado. As pessoas começaram a conversar naturalmente, sem protocolos. Vi executivos que nunca se falariam em um ambiente corporativo tradicional trocando experiências como velhos amigos.
Saí dali com uma certeza: estávamos no caminho certo.
Os resultados que ninguém esperava
Três semanas depois do evento, recebi uma ligação. Era um dos participantes. Ele havia fechado uma parceria com outro empresário que conheceu na noite. Projeto de R$ 2 milhões.
“Obrigado por ter criado a oportunidade”, ele disse. “Faz dois anos que eu tentava chegar nessa empresa, e acabei conhecendo o dono tomando um vinho na sua mesa.”
Naquele momento entendi que estávamos construindo algo maior que eventos. Estávamos criando uma rede de oportunidades.
A empresa dentro da empresa
O que começou como uma ação de relacionamento da agência virou um negócio próprio. A Sociedade Prime cresceu organicamente, impulsionada pelo boca a boca dos próprios membros.
Cada novo encontro trazia mais pessoas. Empresários começaram a pedir para participar. O networking deixou de ser sobre nossa agência e passou a ser sobre criar valor para toda a comunidade empresarial.
Foi quando percebi que havíamos criado algo único: um espaço onde networking acontece naturalmente, sem forçar barra.
O impacto na nossa agência
Paradoxalmente, quanto menos falávamos sobre nossa agência nos eventos, mais negócios apareciam. As pessoas conheciam nosso trabalho através da qualidade do que estávamos criando com a Sociedade Prime.
Começaram a nos procurar não como fornecedores, mas como parceiros estratégicos. “Se vocês conseguem criar uma rede como essa, certamente podem nos ajudar com nossa estratégia de marca.”
Nosso ticket médio triplicou. Não porque aumentamos preços, mas porque passamos a trabalhar com projetos mais estratégicos, de maior impacto.
As lições sobre relacionamentos
Aprendi que relacionamentos empresariais sólidos não se constroem em reuniões formais ou apresentações padronizadas. Eles nascem em momentos de conexão humana genuína.
Vi empresários milionários se emocionando ao contar sobre os desafios de liderar uma empresa. Vi CEOs de multinacionais pedindo conselhos para empreendedores locais. Nesses momentos, os títulos desaparecem e ficam apenas pessoas tentando fazer negócios melhores.
O poder da curadoria
Uma das melhores decisões que tomamos foi ser seletivos. Não é qualquer um que entra na Sociedade Prime. Há um processo, há critérios.
Isso pode soar elitista, mas a realidade é que networking de qualidade acontece entre pessoas do mesmo nível. Não é questão de superiority, é questão de sinergia.
Quando você reúne líderes que enfrentam desafios similares, as conversas fluem naturalmente. As trocas são mais ricas. As oportunidades aparecem organicamente.
A expansão natural
O que começou em Recife se espalhou para São Paulo. Depois vieram outros estados. Empresários de diferentes regiões queriam replicar o modelo em suas cidades.
Hoje temos uma rede nacional de líderes empresariais conectados não apenas pelos negócios, mas por relacionamentos genuínos. E tudo começou com um evento que quase foi um desastre.
Mudança de mentalidade
A maior transformação não foi no faturamento da empresa. Foi na minha mentalidade sobre negócios.
Antes, pensava que sucesso empresarial era sobre competir, sobre ser melhor que os outros. Hoje entendo que é sobre colaborar, sobre criar valor em conjunto.
Os melhores negócios que fiz nos últimos anos vieram de parcerias com pessoas que conheci através da Sociedade Prime. Empresários que poderiam ser concorrentes viraram parceiros estratégicos.
O futuro dos relacionamentos empresariais
Vivemos uma era onde conexões digitais são abundantes, mas conexões humanas são raras. Todo mundo tem milhares de contatos no LinkedIn, mas poucos têm relacionamentos empresariais genuínos.
Acredito que o futuro pertence a quem entender que business é fundamentalmente sobre people. Sobre construir relacionamentos autênticos que geram oportunidades naturalmente.
A Sociedade Prime nasceu dessa convicção. E hoje, vendo o impacto que teve na vida de centenas de empresários, tenho certeza: estávamos certos desde o início.
Às vezes uma decisão que parece arriscada no momento se revela a mais acertada da sua carreira. Para mim, criar a Sociedade Prime foi exatamente isso.




